Festival Jovens do Futuro reúne juventude e amplia debate sobre preservação da Amazônia em Rio Branco

Sétima edição ocupou a Praça Povos da Floresta com música, dança, feira e discussões sobre mudanças climáticas. Evento é inspirado em carta deixada por Chico Mendes às futuras gerações.

O Festival Jovens do Futuro reuniu jovens, artistas e moradores de Rio Branco neste domingo (6) para discutir preservação ambiental, mudanças climáticas e o futuro da Amazônia. A sétima edição ocorreu na Praça Povos da Floresta, no Centro da capital acreana, com atividades culturais, música, dança, empreendedorismo e debates.

Organizado pelo Comitê Chico Mendes, o evento busca aproximar principalmente a juventude das questões ambientais que afetam a região amazônica. Além disso, a programação ocorre em um período marcado por preocupações com seca, fumaça e extremos climáticos no Acre.

Criado em 6 de setembro de 2020, o festival também mantém uma ligação direta com o legado do ambientalista acreano Chico Mendes. Segundo Angélica Mendes, neta do seringueiro e sindicalista, uma carta escrita por ele em 1988 inspirou a criação do encontro e a proposta de pensar o futuro a partir das novas gerações.

Festival nasceu inspirado em mensagem deixada por Chico Mendes

A primeira edição do Festival Jovens do Futuro ocorreu em 2020, durante a pandemia, inicialmente em formato virtual. Desde então, a organização realiza o encontro anualmente com o objetivo de conectar juventude, cultura e questões ambientais.

A escolha de 6 de setembro também possui um significado simbólico. Em uma carta escrita em 1988, Chico Mendes mencionou 6 de setembro de 2120 como o centenário de uma revolução. Dessa forma, exatamente cem anos antes da data citada no documento, o Comitê Chico Mendes realizou a primeira edição do festival.

Segundo Angélica Mendes, a mensagem deixada pelo avô permanece como uma das principais inspirações da iniciativa.

“Na carta deixada pelo meu avô, ele fala que no dia 6 de setembro de 2120 haveria o centenário de uma revolução. Então, em 6 de setembro de 2020, a gente começou a primeira edição. Desde então, todo ano, a gente tem falado sobre essa carta pra juventude. Uma carta onde ele sonhou, onde mirou que a gente teria um futuro sem a devastação da natureza, sem pessoas que defendem o meio ambiente sendo assassinadas”, explicou.

Assim, o festival utiliza o documento como ponto de partida para discutir qual Amazônia as novas gerações querem encontrar no futuro.

Mudanças climáticas ganham espaço entre música e cultura

Em vez de concentrar as discussões ambientais somente em palestras, o festival combina o debate com atividades culturais e de convivência.

Durante a tarde, o público encontrou apresentações de música e dança, além de uma feira com diferentes produtos. Ao mesmo tempo, a programação abriu espaço para conversar sobre preservação da Amazônia e os efeitos dos extremos climáticos.

Para Angélica Mendes, esse formato ajuda a aproximar assuntos complexos da rotina dos jovens.

“A gente tá vendo esses extremos climáticos, num ano com o El Niño extremo chegando, e a gente já tá vendo sinais da fumaça, a gente já tá vendo a seca. Então cada vez mais a gente precisa sair de casa pra falar sobre clima, pra falar sobre o meio ambiente. E nada melhor do que fazer isso dançando, ouvindo música, vendo vários produtos legais na feira, saindo e vivendo Rio Branco”, afirmou.

Dessa maneira, a organização busca transformar a discussão ambiental em uma experiência ligada também à cultura, ao lazer e à ocupação dos espaços públicos da capital.

Juventude ganha espaço para discutir realidade amazônica

A programação reuniu pessoas de diferentes idades. No entanto, os jovens permanecem no centro da proposta do festival.

A professora de canto Mariana Ravena, que acompanhou as atividades, destacou a importância de criar espaços nos quais a juventude possa pesquisar, discutir e apresentar suas próprias perspectivas sobre os problemas ambientais.

“Esse é o momento onde a gente reúne esses jovens para falar sobre isso, mas principalmente que eles tenham voz e que eles pesquisem um pouco mais sobre as coisas que estão acontecendo, principalmente porque nós vivemos na Amazônia. A questão agora é a gente manter e preservar esse lugar onde nós já moramos e nós fazemos parte”, afirmou.

Nesse contexto, o festival procura relacionar grandes discussões sobre o clima com situações vivenciadas diretamente por quem mora na Amazônia.

Além disso, a iniciativa incentiva os participantes a enxergarem a preservação ambiental como uma questão ligada ao próprio cotidiano, e não apenas como um debate distante.

Seca e fumaça reforçam preocupação ambiental no Acre

As discussões desta edição também ocorreram em meio aos sinais do período de estiagem no estado.

Segundo Angélica Mendes, a presença da seca e da fumaça reforça a necessidade de ampliar as conversas sobre mudanças climáticas. Por isso, a organização defende que a população ocupe espaços públicos e participe do debate ambiental.

Ao mesmo tempo, o festival aposta na cultura como instrumento de aproximação. Música, dança e empreendedorismo dividem espaço com discussões sobre o futuro da floresta e os desafios enfrentados pela população amazônica.

Com isso, a 7ª edição do Festival Jovens do Futuro em Rio Branco manteve a proposta iniciada em 2020: aproximar as novas gerações do debate ambiental e preservar a mensagem associada ao legado de Chico Mendes.

A partir da ideia de um “futuro sem a devastação da natureza”, o encontro voltou a colocar a juventude no centro das discussões sobre preservação da Amazônia e sobre os caminhos que a região pode construir para as próximas gerações.

Compartilhe esta notícia

Notícias • Negócios • Entretenimento

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *