Ação começa pelo Igarapé Batista, monitora oito mananciais e inclui atividades de conscientização nas escolas. Mais de 5 mil pessoas vivem em áreas potencialmente expostas próximas aos igarapés Batista e São Francisco.
A Prefeitura de Rio Branco iniciou nesta terça-feira (15) uma operação para retirar até 30 toneladas de lixo por dia dos igarapés da capital e reduzir os impactos provocados por alagamentos durante o período chuvoso. A primeira frente de trabalho começou às margens do Igarapé Batista, no Bairro da Paz, uma das áreas mapeadas pela Defesa Civil Municipal.
A iniciativa integra o Programa Cuidar Rio Branco e prevê ações de limpeza ao longo de aproximadamente oito quilômetros, seguindo pelos igarapés até o Rio Acre. Além disso, oito mananciais entrarão no monitoramento, enquanto escolas receberão atividades educativas sobre o descarte correto de resíduos.
Segundo a administração municipal, ações anteriores encontraram móveis, pneus e até a carcaça de um veículo dentro de igarapés. O acúmulo desses materiais pode dificultar o escoamento da água e, consequentemente, ampliar os impactos das chuvas em regiões vulneráveis.
Oito mananciais entram no monitoramento
O programa concentra esforços em pontos considerados críticos pela Defesa Civil. Ao todo, o município pretende acompanhar oito mananciais: São Francisco, Judia, Almoço, Batista, Dias Martins, Liberdade, Sobral e o Rio Acre, especialmente na região das Estações de Tratamento de Água (ETAs).
O Igarapé São Francisco aparece entre as principais áreas de atenção. O manancial atravessa a zona urbana, passa por vários bairros e, depois, deságua no Rio Acre. Segundo o levantamento municipal, 695 imóveis e aproximadamente 2.780 pessoas estão potencialmente expostos a riscos nas proximidades.
Já o Igarapé Batista atravessa regiões como Bairro da Paz, Parque das Palmeiras e Conjunto dos Engenheiros. Em seguida, suas águas chegam ao Igarapé São Francisco e, posteriormente, ao Rio Acre. Nessa área, o levantamento aponta 613 imóveis e 2.452 moradores potencialmente expostos.
Somados, portanto, os dois igarapés concentram cerca de 5,2 mil pessoas e mais de 1,3 mil imóveis em áreas consideradas de risco.
Limpeza busca melhorar o escoamento durante as chuvas
A retirada de resíduos representa uma das frentes do programa. A meta anunciada pela prefeitura é remover aproximadamente 30 toneladas por dia durante a operação.
O descarte irregular preocupa principalmente porque objetos de grande porte podem obstruir trechos dos cursos d’água e estruturas de drenagem. Dessa forma, a limpeza busca reduzir um dos fatores que podem agravar alagamentos quando o volume de chuva aumenta.
No entanto, a retirada de resíduos não elimina isoladamente os riscos de enchentes e enxurradas. O próprio mapeamento municipal considera áreas sujeitas a diferentes riscos geológicos e hidrológicos. Por isso, o programa combina limpeza, monitoramento e conscientização da população.
Escolas terão ações contra descarte irregular de lixo
Além dos trabalhos nos igarapés, o Cuidar Rio Branco pretende atuar na prevenção por meio de atividades educativas.
A primeira ação em uma unidade de ensino está programada para esta quarta-feira (16), das 8h às 14h, na Escola Francisca Aragão Silva, no bairro Geraldo Fleming.
A iniciativa pretende conscientizar estudantes sobre o descarte correto do lixo e mostrar como resíduos abandonados em locais inadequados podem chegar aos igarapés.
Com isso, a prefeitura tenta atuar também na origem do problema. Enquanto as equipes retiram materiais acumulados nos mananciais, as atividades educativas buscam reduzir novos descartes irregulares.
Transbordamento do Igarapé Batista já atingiu cerca de mil famílias
O Igarapé Batista possui histórico recente de ocorrências durante períodos de chuvas intensas. Em fevereiro de 2025, o transbordamento do manancial atingiu cerca de mil famílias em 17 bairros de Rio Branco.
Na ocasião, equipes da Defesa Civil utilizaram barcos para retirar famílias das áreas afetadas e encaminhá-las para abrigos.
Além disso, a capital voltou a enfrentar problemas provocados pela elevação das águas no fim de 2025. Já em janeiro de 2026, durante o período de maior incidência de chuvas do inverno amazônico, a cheia do Rio Acre afetou mais de 2 mil pessoas e 27 bairros.
Naquele mês, a Defesa Civil havia informado previsão de 287,5 milímetros de chuva para janeiro. Entretanto, somente nos primeiros 15 dias foram registrados 372,2 milímetros, volume que já superava a previsão para todo o mês.
Rio Branco tem cerca de 44 mil pessoas vivendo em áreas de risco
A dimensão do problema também aparece no Plano Municipal de Redução de Riscos (PMRR).
Um levantamento divulgado em agosto identificou 87 áreas de risco geológico e hidrológico em Rio Branco, onde vivem aproximadamente 44 mil pessoas.
Nesse contexto, o monitoramento dos mananciais ganha importância antes da intensificação das chuvas. Além da limpeza, informações sobre os locais mais vulneráveis podem orientar ações preventivas e respostas da Defesa Civil diante de novos episódios.
Agora, o Programa Cuidar Rio Branco começa pelo Igarapé Batista com a previsão de retirar cerca de 30 toneladas de resíduos diariamente. Ao combinar limpeza de igarapés, monitoramento das áreas de risco e conscientização nas escolas, a prefeitura busca reduzir um dos fatores que agravam os alagamentos e preparar áreas vulneráveis para o período mais chuvoso na capital acreana.






