Rio Acre chegou a 1,62 metro em Rio Branco, enquanto trabalhadores relatam queda no número de passageiros. Defesa Civil monitora comunidades e alerta para riscos durante período de estiagem.
A seca no Rio Acre já provoca impactos na rotina de trabalhadores que dependem diretamente do manancial em Rio Branco. Com o nível da água mais baixo e a aproximação do período mais crítico da estiagem, o catraieiro Antônio Viana relata redução significativa no número de passageiros e dificuldades provocadas por bancos de areia, trechos rasos e obstáculos durante a navegação.
Neste sábado (5), o Rio Acre chegou a 1,62 metro na capital, segundo a Defesa Civil Municipal. À medida que a água recua, os barrancos ficam mais distantes dos pontos de embarque e desembarque. Por isso, segundo Viana, parte dos passageiros prefere utilizar alternativas como transporte por aplicativo ou mototáxi.
Ao mesmo tempo, a Defesa Civil Estadual monitora os rios e acompanha comunidades que podem enfrentar dificuldades durante a estiagem. O governo do Acre decretou situação de emergência em agosto, enquanto o governo federal reconheceu a condição nos 22 municípios acreanos.
Catraieiro relata queda no número de passageiros
Antônio Viana trabalha como catraieiro em Rio Branco e acompanha diariamente as mudanças provocadas pela redução do nível do rio.
Segundo ele, o recuo das águas aumentou a distância entre o rio, os barrancos e as escadas utilizadas pelos passageiros. Como consequência, muitas pessoas deixaram de utilizar as catraias para atravessar o manancial.
“De uns meses para cá, caiu o nosso trabalho, o nosso transporte aqui diminuiu muito, porque ficou mais distante os barrancos, as escadas, aí o pessoal prefere pegar um Uber, pegar uma moto táxi de que atravessar com a catraia. Mas graças a Deus, estamos ainda na luta aqui, estamos lutando”, relatou.
Apesar da redução da demanda, Viana continua trabalhando. Segundo o catraieiro, alguns passageiros ainda procuram o serviço para fazer a travessia.
Rio Acre chegou a 1,62 metro na capital
Além dos impactos econômicos para quem depende do transporte fluvial, a redução do nível do Rio Acre aumenta as dificuldades de navegação.
Na medição deste sábado, o manancial marcou 1,62 metro em Rio Branco, conforme dados da Defesa Civil Municipal.
Nesse cenário, bancos de areia, pedras, troncos e áreas com pouca profundidade podem dificultar a passagem das embarcações. Além disso, a água barrenta impede que condutores visualizem facilmente obstáculos abaixo da superfície.
Por isso, a Defesa Civil orienta quem navega pelos rios acreanos a reduzir a velocidade e redobrar os cuidados.
“As águas dos nossos rios são barrentas, então por baixo estão bancos de areia, troncos de árvore, pedras. Então para deslocamento nessas áreas fluviais é necessário se deslocar com baixa velocidade”, explicou o coordenador da Defesa Civil Estadual, coronel Carlos Batista.
Defesa Civil monitora comunidades mais afastadas
A estiagem também preocupa as autoridades por causa das comunidades e cidades que dependem dos rios para transporte e abastecimento.
Segundo Batista, a Defesa Civil acompanha principalmente regiões mais afastadas, como Santa Rosa do Purus, Jordão, Marechal Thaumaturgo e Porto Walter.
O objetivo é identificar antecipadamente áreas de risco e buscar alternativas para evitar problemas de desabastecimento.
Além disso, algumas comunidades se organizam para armazenar insumos antes que os rios atinjam níveis ainda menores. Enquanto isso, a Defesa Civil mantém contato com coordenadorias municipais e moradores de localidades mais isoladas.
Dessa forma, o órgão pretende reduzir os impactos da estiagem sobre populações que dependem diretamente dos mananciais.
Defesa Civil alerta para possível agravamento da estiagem
Outro fator acompanhado pelas autoridades é a possibilidade de redução das chuvas nos próximos meses.
Segundo Carlos Batista, o fenômeno El Niño pode contribuir para temperaturas mais altas e menor concentração de precipitação na região. De acordo com o coordenador, existe preocupação especialmente com outubro e novembro.
“Há uma preocupação, o fenômeno El Niño traz aqui para a nossa região o aumento de temperaturas, a baixa concentração de chuvas, e com isso há essa tendência, dele se fortalece ainda mais no mês de outubro em novembro, e com isso não ocorrer chuvas significativas que aumentem o nível dos rios”, afirmou.
Assim, mesmo antes da chegada dos meses apontados como mais preocupantes, a Defesa Civil mantém o acompanhamento dos níveis dos mananciais e das condições enfrentadas pelas comunidades.
Rios rasos podem esconder riscos
Embora a redução do nível dos rios deixe algumas áreas aparentemente mais seguras, a Defesa Civil alerta para uma falsa sensação de segurança.
Trechos rasos podem esconder buracos, pedras, troncos e bancos de areia. Consequentemente, tanto banhistas quanto condutores de embarcações precisam aumentar a atenção.
O período de temperaturas elevadas também costuma levar moradores a procurar rios e balneários para se refrescar. Nesse caso, o órgão recomenda cuidado especial com crianças.
Batista orienta responsáveis a manter supervisão constante e evitar que menores entrem sozinhos na água. Além disso, ele alerta para o consumo de bebidas alcoólicas por pessoas responsáveis pela segurança da família durante atividades próximas aos rios.
Acre está em situação de emergência por causa da seca
O cenário de estiagem levou o governo do Acre a decretar situação de emergência em 3 de agosto devido à seca severa e ao risco de desabastecimento hídrico.
Depois, em 20 de agosto, o governo federal reconheceu a situação de emergência nos 22 municípios do estado.
A medida consta na Portaria nº 2.659, de 19 de agosto, assinada pelo secretário nacional de Proteção e Defesa Civil, Wolnei Wolff Barreiros.
Com o reconhecimento federal, os municípios podem apresentar planos de ação e solicitar recursos da União para enfrentar os impactos provocados pela seca.
A ocorrência recebeu classificação de seca conforme o Código Brasileiro de Desastres (Cobrade).
Todos os municípios acreanos estão incluídos no reconhecimento
O reconhecimento federal alcança Acrelândia, Assis Brasil, Brasiléia, Bujari, Capixaba, Cruzeiro do Sul, Epitaciolândia, Feijó, Jordão, Mâncio Lima, Manoel Urbano, Marechal Thaumaturgo, Plácido de Castro, Porto Acre, Porto Walter, Rio Branco, Rodrigues Alves, Santa Rosa do Purus, Sena Madureira, Senador Guiomard, Tarauacá e Xapuri.
Portanto, os efeitos da estiagem não ficam restritos à capital. Em diferentes regiões, a redução dos rios pode afetar deslocamentos, abastecimento e atividades econômicas que dependem das vias fluviais.
Em Rio Branco, a situação de Antônio Viana mostra um desses impactos no cotidiano. Com menos passageiros e condições mais difíceis para navegar, o catraieiro tenta manter uma atividade diretamente ligada ao Rio Acre.
Enquanto isso, a Defesa Civil continua acompanhando os mananciais e as comunidades vulneráveis. Com o Rio Acre em 1,62 metro e a estiagem avançando, autoridades reforçam os cuidados com navegação, abastecimento e segurança de quem utiliza os rios durante o período de seca.







